Blog

  • Ação de Acolhimento Menstrual

    Ação de Acolhimento Menstrual

    Acolhimento Menstrual no IFSC: tecnologia, acesso e cuidado

    O Laboratório de Cidadania Digital (LabCidig) atua em parceria com os projetos hospedados na Pré-incubadora do IFSC-Florianópolis, a Incubintech. Este protótipo de vending machine está instalado no hall de acesso do IFSC Campus Florianópolis, para testes e validação com a comunidade acadêmica. Com tecnologia própria e registro de propriedade intelectual em andamento, trata-se da QR→PIX→GO, uma iniciativa que busca democratizar o acesso a itens comerciais com preço justo, facilidade logística e inteligência de mercado.

    Operação inicia em: Carregando contagem…

    29 de maio de 2026 • Hall de acesso do IFSC Campus Florianópolis

    Como funciona

    Toda a interação é realizada diretamente na tela touchscreen da máquina:

    1. Selecione o tipo de absorvente
    2. Preencha o cadastro rápido (nome, contato, CEP) – dados protegidos por LGPD
    3. Confirme a retirada e retire seus absorventes gratuitamente
    4. Seus feedbacks anônimos ajudam a aprimorar o sistema

    Por que essa iniciativa?

    Todos sabemos, mas não custa relembrar: negócios devem antes de tudo amenizar ou mesmo suprimir uma dor social. E, sensibilizados com a descontinuidade do programa Dignidade Menstrual, percebemos nessa demanda uma oportunidade para pilotar nosso protótipo dentro do IFSC-Florianópolis. Então, ao utilizar essa máquina, você está colaborando voluntariamente para o desenvolvimento de tecnologias sociais. Nos comprometemos em resguardar todos os seus dados, jamais iremos expor nomes ou outras informações pessoais.

    Com a rotina de uso deste equipamento, conseguiremos identificar possibilidades de melhorias e ao mesmo tempo, se o funcionamento e demanda crescerem juntos, buscaremos recursos para ampliar a política pública de assistência primária no contexto da saúde da mulher.

    A distribuição dos absorventes é gratuita, a cidadã beneficiada não tem custos! Cadastre-se, aproveite o benefício e multiplique essa ideia com suas amigas e colegas!

    Segurança dos dados

    Comprometemo-nos com a minimização de dados e conformidade com a LGPD. Todas as informações coletadas são:

    • Criptografadas em trânsito (HTTPS) e em repouso
    • Armazenadas com acesso restrito à equipe técnica do LabCidig
    • Utilizadas exclusivamente para operação, melhoria do serviço e prestação de contas institucionais
    • Passíveis de exclusão mediante solicitação do titular

    Como apoiar esta iniciativa

    Esta tecnologia só ganha escala com a adesão da comunidade. Você pode ajudar de várias formas:

    • Indique o projeto para iniciativas públicas, secretarias de educação ou saúde
    • Apoie individualmente por meio de doações para custeio de insumos
    • Compartilhe esta página em suas redes sociais para alcançar mais pessoas
    • Converse com colegas e mobilize sua rede para lutar por mais pontos de acolhimento
    • Envie suas ideias para tornar este projeto permanente, especialmente em escolas e espaços públicos

    Parcerias Institucionais

    Dados da Organização
    Dados do Contato
    Interesse em Parceria

  • Antes do play: o maior lançamento da história e a geração que não aguenta mais esperar

    Antes do play: o maior lançamento da história e a geração que não aguenta mais esperar

    GTA VI

    Há fenômenos que a academia observa a distância, por meio de dados e relatórios. E há outros que chegam antes disso, na agitação de um corredor escolar, na distração calculada de um adolescente que verifica o celular entre uma aula e outra, na pergunta susurrada: “já saiu alguma novidade?”

    Como professor e pesquisador em ciência da comunicação, aprendi a tratar a sala de aula como um sismógrafo cultural. Ela registra, em tempo real, as vibrações que só depois aparecem nas manchetes e nos relatórios de mercado. E o que esse sismógrafo tem mostrado nos últimos meses é inconfundível: a geração que vai moldar a próxima década vive em compasso de espera pelo lançamento de Grand Theft Auto VI. Um frenesi sem precedentes.

    É um universo que atravessa os fã-clubes de videogame. O que estamos vivendo é algo mais profundo: a intersecção entre cultura pop, identidade digital, economia criativa e as novas formas pelas quais jovens se relacionam com o entretenimento imersivo. Analisar o fenômeno GTA 6 é, portanto, analisar o estado da cidadania digital no Século XXI.

    O Frenesi

    Antes de qualquer análise qualitativa, os dados quantitativos precisam ser colocados na mesa, porque eles são, por si só, descomunais.

    Em 4 de dezembro de 2023, a Rockstar Games divulgou o primeiro trailer oficial de GTA 6 como celebração dos 25 anos do estúdio. Em 24 horas, o vídeo acumulou 93 milhões de visualizações no YouTube, tornando-se o terceiro vídeo mais assistido da história da plataforma, atrás apenas de dois clipes do grupo sul-coreano BTS. O trailer quebrou o recorde de não-musicais mais vistos em 12 horas, com 46 milhões de visualizações. Em maio de 2025, o segundo trailer foi lançado e já acumula mais de 161 milhões de visualizações em plataformas cruzadas.

    Esses números são reveladores de uma mudança estrutural: um trailer de videogame compete, em audiência e impacto social, com os maiores fenômenos da música pop global. O contexto econômico amplifica a dimensão do evento.

    Grand Theft Auto V cruzou a marca de 225 milhões de unidades vendidas até dezembro de 2025, tornando-se o segundo jogo mais vendido da história, e a franquia GTA acumula 465 milhões de unidades ao longo de sua existência.

    Para se ter uma ideia da longevidade desse produto: GTA V foi lançado em 17 de setembro de 2013 e, mais de doze anos depois, ainda aparece entre os títulos mais jogados e mais lucrativos do mercado.

    Do ponto de vista da indústria, a firma de dados Circana projeta que GTA 6 ajudará a tornar 2026 o ano mais lucrativo da história dos videogames, com receita total projetada de 62,8 bilhões de dólares. Analistas da Konvoy Ventures, empresa de capital de risco focada em games, estimam que o jogo pode gerar até 7,6 bilhões de dólares nos primeiros 60 dias de lançamento, com perspectiva de empatar os custos de produção ainda no primeiro mês.

    O custo de produção, aliás, é outro dado que define os contornos históricos deste projeto. Estimativas situam o investimento total entre 2 e 3,4 bilhões de dólares. Assim, GTA 6 alcança a marca de produto de entretenimento interativo mais caro já desenvolvido na história da humanidade. Para fins de comparação, o filme Avatar: O Caminho da Água (2022), um dos mais caros do cinema, custou aproximadamente 460 milhões de dólares.

    Por que tanta espera?

    A data de lançamento oficial de GTA 6 é 19 de novembro de 2026, para PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Mas, chegar até essa data foi uma odisseia de adiamentos que merece análise cuidadosa, pois cada delay revela camadas do desafio que é criar mundos digitais desta magnitude.

    Os trabalhos preliminares na sequência começaram ainda em 2014, logo após o lançamento de GTA V. No entanto, o desenvolvimento efetivo só se iniciou no final de 2018, após a conclusão de Red Dead Redemption 2. Isso significa que, quando GTA 6 finalmente chegar às prateleiras em novembro de 2026, a Rockstar terá dedicado oito anos de desenvolvimento intensivo ao projeto.

    Cada mês de atraso implica aproximadamente 60 milhões de dólares em receita não processada para a Take-Two, o que torna os adiamentos frustrantes para os fãs e financeiramente dolorosos para a empresa-mãe. E ainda assim, a Rockstar adiou. Duas vezes. Especulações em torno das motivação são inúmeras. Mas, desconheço uma que alicerça as justificativas pela perspectiva técnica, o que motivou minha dedicação nas análises e na escrita desse artigo.

    Depois de muito ouvir, assistir e contrapor, a resposta mais honesta que alcanço é complexa e merece ser examinada por qualquer pessoa que pretenda compreender os desafios da criação de cultura digital contemporânea. Digo isso considerando principalmente meus estudantes de design e das engenharias. Pois bem, GTA 6 se passa no estado fictício de Leonida (uma versão saturada e satírica da Flórida contemporânea, com a Vice City como hub urbano central). O sistema ambiental do jogo simula clima dinâmico, estações e fenômenos naturais: a chuva afeta a tração dos veículos, ventos fortes derrubam objetos e influenciam a navegação marítima, e inundações alteram a acessibilidade costeira. Isso não é design cosmético, é simulação física em escala de cidade.

    Não esqueçamos das tecnologias distuptivas que democratizaram na esteira histórica desde o lançamento do GTA V, em 2013. A inteligência artificial está nos personagens não-jogáveis (NPCs) e representa outro salto geracional. Cada personagem possui uma IA única que governa suas reações ao jogador, a outros NPCs e ao ambiente. Civis se adaptam a crimes e perturbações, membros de gangues alteram rotas de patrulha, e lojistas reagem realisticamente a roubos. O motor gráfico utilizado, o RAGE 9 (Rockstar Advanced Game Engine), promete visual fotorrealistas com ray tracing em tempo real. Essa tecnologia exige otimização meticulosa para funcionar de forma fluida em hardware de console.

    Criar esse nível de detalhe e garantir que ele funcione sem bugs em milhões de combinações possíveis de ações do jogador exige cronograma. É matemática de engenharia de software.

    Sigilo na era de vazamentos (reais e supostos)

    Em setembro de 2022, um vazamento massivo expôs vídeos de gameplay internos e linhas de código-fonte do jogo, considerado um dos maiores ataques à propriedade intelectual da história dos games. Em abril de 2026, o grupo hacker ShinyHunters afirmou ter acessado servidores da Rockstar via a Anodot, um serviço terceirizado de monitoramento de nuvem. A Rockstar confirmou a invasão, mas garantiu que dados de desenvolvimento do jogo, código-fonte e informações de jogadores não foram comprometidos.

    Gerenciar vazamentos enquanto se desenvolve o produto mais esperado do entretenimento global é, em si, uma operação paralela de inteligência corporativa. Cada nova fase de produção — cada atualização gráfica, cada alteração de mecânica — precisa ser blindada contra vazamentos que possam comprometer a estratégia de marketing e o elemento surpresa do lançamento.

    Existe uma distância vertiginosa entre o mundo de setembro de 2013 e o de novembro de 2026. Compreender esse intervalo é compreender por que a aposta da Rockstar vai muito além de um jogo.

    Em 2013, o Twitter ainda era uma plataforma ascendente. O TikTok não existia (seria fundado em 2016). O Instagram tinha apenas três anos. Twitch estava começando a popularizar o streaming de jogos. YouTube Gaming ainda não era uma categoria consolidada. O conceito de “influenciador digital” era embrionário. O metaverso era ficção científica.

    Hoje, em 2026, o ecossistema em torno de um lançamento de game triplo A é um fenômeno comunicacional complexo: streamers com audiências de milhões constroem suas carreiras em torno de um único título; criadores de conteúdo monetizam análises, especulações e “lore theories”; comunidades no Reddit, Discord e X funcionam como centros de ‘inteligência coletiva’, decodificando cada frame dos trailers em busca de pistas ocultas. O segundo trailer de GTA 6 atingiu 475 milhões de visualizações em plataformas cruzadas nas primeiras 24 horas.

    A série GTA sempre foi relevante por capturar e criticar a cultura popular e as formas de interação humana, e GTA 6 parece ter compreendido radicalmente essa missão. Ambos os trailers oficiais mostram um mundo saturado de mídias sociais. Numa rápida análise dos trailers é possível identificar feeds de notícias no estilo TikTok, turistas filmando cenas de crime com smartphones, personagens inspirados em criadores de conteúdo do OnlyFans, e uma Flórida contemporânea exagerada ao ponto do absurdo satírico. A cultura digital é o contexto do jogo, é o seu tema central.

    GTA V redefiniu o conceito de liberdade do jogador em mundos digitais e introduziu retratos complexos da sociedade contemporânea que estimularam discussões amplas sobre corrupção institucional, racismo, violência policial e consumismo. GTA 6, ao colocar uma protagonista feminina pela primeira vez na história da franquia (Lucia, ao lado de Jason Duval), e ao centralizar sua narrativa numa Florida excessiva e midiatizada, eleva essa missão crítica a um novo patamar.

    A pressão impossível

    Há uma dificuldade específica no desafio que a Rockstar enfrenta: ela mesma criou os padrões que agora precisa superar. O fato de que um jogo lançado em 2013 ainda compete de forma relevante em hardware de 2026, mantendo sua visão artística, demonstra um design de código excepcional e também demonstra como GTA V virou uma armadilha dourada. O jogo vendeu tanto, por tanto tempo, que qualquer sucessor precisa ser melhor e representar um salto de geração.

    GTA 6 registra o maior “índice de intenção de compra” já medido pela Circana desde que a empresa começou a rastrear esse indicador. Não existe precedente histórico para o nível de expectativa que cerca este lançamento.

    E expectativa, como qualquer professor sabe, é uma faca de dois gumes: ela cria demanda e cria vulnerabilidade. Influenciadores do nicho já orientam seus seguidores a organizarem férias para a semana do lançamento. Outros, mais radicais, sugerem que haverá um esvaziamento das ruas; orientam seus públicos a criarem estoque de alimentos e prometem lives ininterruptas na primeira semana para explorar o mundo da sexta geração do game.

    Mas, afinal: quais devem ser as novidades de GTA VI?

    Além do espetáculo comercial, o jogo tem potencial de impactar a indústria para além de sua própria franquia.

    Inteligência Artificial Comportamental: a promessa de NPCs com rotinas únicas, memória de interações anteriores e respostas emocionais contextuais representa a aproximação mais ambiciosa já tentada em jogos comerciais entre IA comportamental e simulação social. Um gerente de boate pode se lembrar de um negócio que deu errado, ou um traficante local pode alertar inimigos se o jogador ignorar sua missão secundária. Esse design de jogo inédito representa modelagem de sistemas sociais complexos, com implicações que vão além do entretenimento. Claro, não existe nenhum indício de que a franquia fornecerá relatórios sobre os comportamento dos jogadores, mas eles certamente contabilizarão esse capital intangível.

    Motor Gráfico de Nova Geração: o RAGE 9 utiliza ray tracing em tempo real para renderizar iluminação, sombras e reflexos com precisão física. O motor de áudio do jogo é descrito como revolucionário. Traz tiros que ecoam diferentemente dependendo da localização, o ruído do tráfego muda com o congestionamento, e conversas entre NPCs evoluem baseadas na proximidade e contexto.

    Simulação Física Avançada: a Rockstar parece estar simulando saturação de terreno e tração variada, o que explica cenas de aquaplanagem e travessia de pântanos. A água sobe e fecha estradas. O tráfego se redistribui. Os NPCs alteram suas rotas e instintos.

    Narrativa Dual e Dinâmica Social: com dois protagonistas jogáveis pela primeira vez numa entrada principal da franquia (Jason e Lucia), em narrativa paralela às de Bonnie e Clyde, GTA 6 aposta em storytelling ramificado onde as escolhas do jogador afetam arcos narrativos. Isso representa a convergência entre game design e as técnicas de escrita não-linear que definem as melhores séries de streaming contemporâneas.

    Plataforma de Cultura Digital: a integração de uma estética de redes sociais diretamente na narrativa do jogo é, talvez, o aspecto mais relevante para a cidadania digital. GTA 6 retrata a cultura do influencer: simula, satiriza e a torna jogável. É, ao mesmo tempo, espelho e crítica de uma geração.

    Retorno, ao final deste texto, ao ponto onde comecei: a sala de aula como sismógrafo. A ansiedade dos adolescentes e jovens em relação a GTA 6 revela algo sobre a natureza da experiência digital contemporânea: a forma como mundos virtuais funcionam como espaços de sociabilidade, de construção de identidade, de pertencimento geracional.

    GTA 6 chega em um momento em que a geração que cresceu com GTA V está agora no início da vida adulta. Para eles, o lançamento é o retorno a um universo que ajudou a moldar quem eles são.

    Como pesquisador, encontro nesse fenômeno uma oportunidade rara de observar, em tempo real, como o entretenimento digital constrói comunidades, fabrica expectativas coletivas e produz cultura. Como professor, encontro nele uma janela para conversar com meus alunos sobre economia criativa, sobre os desafios de produzir arte em escala industrial, sobre as pressões que o capitalismo de plataforma impõe aos criadores.

    E, honestamente? Também encontro nele a curiosidade sincera de alguém que acompanha a evolução dos mundos digitais há anos — e que sabe reconhecer quando algo genuinamente novo está prestes a acontecer.

    GTA 6 agora está a poucos meses do lançamento, com pré-vendas iminentes e um terceiro trailer aguardado a qualquer momento. A espera está chegando ao fim. E quando o mundo finalmente entrar em Leonida, no dia 19 de novembro de 2026, estarei prestando atenção. O jogo não é só um jogo, ele nos diz algo sobre nós mesmos, ainda antes de ser lançado.

  • Maio Laranja: Seminário une ciência e poder público para fortalecer a Rede de Proteção à Infância e Adolescência em Florianópolis

    Maio Laranja: Seminário une ciência e poder público para fortalecer a Rede de Proteção à Infância e Adolescência em Florianópolis

    Evento abordará Proteção, Escuta Especializada e Cidadania Digital no enfrentamento às violências sexuais contra crianças e adolescentes

    Em alusão a campanha de conscientização e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, Maio Laranja, o Laboratório de Cidadania Digital do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC – LabCidig) em parceria com a Assessoria da Infância e Juventude, da Prefeitura de Florianópolis e o SEST SENAT, promove, no dia 18 de maio, o Seminário Maio Laranja – Proteção, Escuta Especializada e Cidadania Digital na Rede Municipal de Florianópolis

    A iniciativa, que acontecerá das 8h às 12h, no auditório do IFSC Câmpus Florianópolis, com participação presencial e transmissão online, tem como objetivo fortalecer a rede de proteção de crianças e adolescentes diante dos desafios contemporâneos, especialmente no enfrentamento às violências sexuais.

    Integrando a programação da campanha nacional Maio Laranja, o seminário propõe um espaço de formação, articulação e troca de experiências entre profissionais, pesquisadores, extensionistas, estudantes, gestores públicos e representantes da governança que atuam diretamente no atendimento, prevenção, acolhimento e encaminhamento de situações de violência.

    A proposta é reunir trabalhadores e gestores dos equipamentos públicos municipais, como CRAS, CAPS, unidades da assistência social, saúde, educação, direitos humanos e demais instituições que compõem o sistema de garantia de direitos de crianças e adolescentes em Florianópolis.

    Segundo a secretária de Assistência Social de Florianópolis, Luciane dos Passos, este encontro nasce da necessidade de fortalecer, cada vez mais, a rede de proteção às crianças e adolescentes na Capital. “Quando falamos em práticas integradas, responsáveis e humanizadas, estamos falando sobre garantir que cada atendimento aconteça de forma articulada, acolhedora e segura, respeitando as especificidades de cada situação e colocando a proteção integral como prioridade. Mais do que discutir protocolos, este encontro reafirma o nosso compromisso coletivo com o cuidado, a proteção e a garantia de direitos das crianças e adolescentes”. 

    Os interessados em participar do Seminário Maio Laranja devem realizar inscrição prévia pelo site eventos.ifsc.edu.br/maiolaranja2026. As vagas para participação presencial são limitadas e estarão sujeitas à capacidade do espaço. Já para quem deseja acompanhar o evento de forma online, também é necessário efetuar a inscrição pelo mesmo link.

  • Resgate de três crianças em Santa Catarina reforça a urgência de prevenção e escuta qualificada para a cidadania digital

    Resgate de três crianças em Santa Catarina reforça a urgência de prevenção e escuta qualificada para a cidadania digital

    No dia 28 de abril de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Nacional Proteção Integral IV, com cumprimento simultâneo de 159 mandados de busca e apreensão em todas as unidades da Federação e 17 mandados de prisão preventiva. A ação envolveu 503 policiais federais e 243 policiais civis de diferentes estados. As cidades catarinenses envolvidas foram Florianópolis, São José e Imbituba. Nestas, três crianças foram resgatadas em situação de vulnerabilidade.

    O dado mais alarmante, no entanto, ultrapassa a operação específica. Conforme relatórios da Polícia Federal, somente de janeiro a abril de 2026, por meio dos chamados Grupos de Capturas, a Polícia Federal já cumpriu ao menos 450 mandados judiciais de prisão por crimes sexuais.

    Plataformas, aplicativos de mensagens, redes sociais, jogos online e comunidades digitais fazem parte da vida cotidiana de crianças e adolescentes. Esses ambientes ampliam possibilidades de aprendizagem, socialização e expressão, mas também podem ser utilizados por adultos ou grupos criminosos para aproximação indevida, manipulação, coerção, produção de conteúdos ilegais e circulação de materiais violentos.

    A própria Polícia Federal tem chamado atenção para a importância da terminologia adequada. Embora o termo “pornografia” ainda apareça no Estatuto da Criança e do Adolescente, a comunidade internacional tem priorizado expressões como abuso sexual de crianças e adolescentes ou violência sexual contra crianças e adolescentes, por refletirem com maior precisão a gravidade desses crimes.

    Quando uma criança ou adolescente é exposto, manipulado, coagido ou violentado, não se trata de “conteúdo adulto”, mas de crime, exploração e violação da dignidade humana.

    A operação também ocorreu às vésperas do Maio Laranja, mês dedicado ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha reforça que a proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade de toda a sociedade, envolvendo famílias, escolas, instituições públicas, plataformas digitais, organizações sociais e redes de proteção.

    Denúncias

    Ao desconfiar de violações contra crianças e adolescentes, o canal oficial para denúncias é o Disque 100, serviço nacional que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, recebendo, analisando e encaminhando denúncias aos órgãos competentes.

  • Maus-tratos a animais em plataformas digitais acendem alerta para famílias

    Maus-tratos a animais em plataformas digitais acendem alerta para famílias

    Crescimento de casos envolvendo gatos expõe a relação entre violência online, busca por notoriedade e riscos à formação de adolescentes em ambientes digitais

    A circulação de conteúdos violentos envolvendo animais em plataformas digitais tem preocupado autoridades, pesquisadores e organizações de defesa de direitos. Apuração de relatórios do Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo, o NOAD, indicam que os registros de maus-tratos a gatos na internet cresceram de forma expressiva em menos de três anos, com destaque para comunidades fechadas em plataformas de comunicação digital.

    Apenas nos três primeiros meses de 2026 foram contabilizados 385 casos de maus-tratos a gatos na internet. Em 2024, haviam sido identificados 175 casos. Em 2025, o número chegou a 340 ocorrências. O avanço dos registros revela a ampliação da capacidade investigativa para mapear práticas criminosas em ambientes digitais e mantém o alerta para que famílias e profissionais da educação dialoguem com as crianças e adolescentes sobre os riscos de algumas comunidades virtuais.

    A preocupação central das autoridades está no modo como esses conteúdos circulam. Em muitos casos, a violência contra animais aparece associada à busca por reconhecimento dentro de comunidades online, especialmente em grupos fechados. Nessas dinâmicas, atos de crueldade podem ser tratados como desafios, provas de pertencimento ou formas de ganhar visibilidade entre pares.

    Esse fenômeno exige uma leitura que vá além da segurança pública. Para o LabCidig, trata-se também de uma questão de cidadania digital, formação ética e proteção integral de crianças e adolescentes. Ambientes digitais não são espaços neutros: eles organizam relações, estimulam comportamentos, produzem pertencimentos e podem favorecer processos de dessensibilização diante da violência.

    Para a delegada Lisandre Salvariego, coordenadora do NOAD, adolescentes e jovens do sexo masculino aparecem com frequência entre os envolvidos nesse tipo de prática. Esse dado reforça a necessidade de ações educativas voltadas à cultura digital, masculinidades, empatia, responsabilidade ética e reconhecimento dos impactos sociais da violência online.

    Outro ponto sensível é o papel das plataformas. Nosso coordenador, professor André Dala Possa, reforça que pelas estatísticas oficiais o Discord é um dos principais ambientes em que esse tipo de conteúdo tem sido identificado, especialmente por meio de servidores fechados e transmissões ao vivo. “O Telegram também aparece como segunda rede com maior número de ocorrências”, disse.

    No Brasil, maus-tratos contra animais são crime previsto na Lei nº 9.605/1998. Desde 2020, quando a violência é praticada contra cães ou gatos, a pena passou a ser mais severa, podendo incluir reclusão, multa e proibição da guarda. As denúncias podem ser encaminhadas diretamente a Delegacia Virtual de Proteção Animal, de forma anônima, neste link.

  • Laboratório de Cidadania Digital é inaugurado no Câmpus Florianópolis

    Laboratório de Cidadania Digital é inaugurado no Câmpus Florianópolis

    Autoridades descerram a placa inaugural em ato simbólico
    Parceiros e autoridades descerram a placa inaugural

    O IFSC inaugurou nesta quinta-feira (23/4), o Laboratório de Cidadania Digital, no Câmpus Florianópolis, com foco em pesquisa, formação e ações de prevenção sobre os riscos do ambiente on-line. A estrutura nasce com atuação voltada a estudantes, professores, famílias e redes de ensino, em parceria com instituições públicas e de pesquisa.

    O coordenador do projeto e do Laboratório, professor André Dala Possa, explicou que o espaço foi pensado para integrar pesquisa e extensão em torno do uso responsável das tecnologias. “Nós atuamos com estudantes, pesquisadores de diversos cursos, áreas do conhecimento, portanto, ele é multidisciplinar e oferecemos formação continuada para professores, principalmente, adolescentes e pais de família.”, completa.

    Segundo ele, a proposta inclui microformações sobre temas como cyberbullying, segurança de dados, gerenciamento de senhas e uso adequado de dispositivos por crianças e adolescentes. “Então, o laboratório pesquisa, estuda estratégias e oferece microformações para as famílias catarinenses, os estudantes, principalmente do ensino médio e os professores compreenderem melhor como se dá de forma saudável o convívio diário com as tecnologias digitais.”, complementa.

    Parcerias e pesquisas

    André também destacou que o laboratório reúne diferentes frentes de financiamento e cooperação institucional. “Então, o Laboratório de Cidadania Digital aqui em Santa Catarina tem parceria com a Receita Federal, através do programa Receita Cidadã. Também temos fomento em pesquisa da FAPESC, um edital universal. Temos um edital de extensão com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e também recebemos uma emenda parlamentar da deputada federal Daniela Reiner”, conclui.

    Para o diretor-geral do Câmpus Florianópolis, Rogério Versage, sediar a iniciativa amplia o alcance social da instituição e reforça a relação com a comunidade. “Para o Câmpus Florianópolis ter um laboratório desse aqui ajuda a gente em diversas dimensões. No impacto que o próprio laboratório tem na sociedade, para o estado todo, para tantos estudantes e jovens.”, disse. Ele acrescentou que a presença do laboratório também fortalece a formação dos próprios alunos do câmpus. “Também para os nossos próprios estudantes, onde eles têm a oportunidade de se desenvolver na sua formação, para contribuir com a sociedade, sensibilizando para essas questões tão importantes.”, finaliza.

    Educação e prevenção

    A diretora executiva do IFSC, Ana Paula Kuczmynda da Silveira, afirmou que o laboratório está alinhado à missão institucional da rede federal. “Em primeiro lugar, a gente tem uma afinidade muito grande com a ideia do laboratório, sobretudo quando nós pensamos o cumprimento da missão institucional e o papel que nós temos, dentro da instituição, mas também como parceiros externos, no combate a todos os tipos de violência”, explica. Ela destacou ainda que muitas dessas violências se manifestam no ambiente digital e é papel da escola estar atenta a isso.

    Representando a Secretaria de Estado da Educação, a pedagoga Elizete Soares Geraldi avaliou a iniciativa como estratégica para o enfrentamento das violências digitais nas escolas. “A Secretaria de Estado de Educação, por meio do Núcleo de Atenção às Violências na Escola, vê com muita esperança, muitos bons olhos essa iniciativa do laboratório digital. Temos certeza que vai contribuir muito, nos ajudando a esse combate com ideias, com apoio, com incentivo, tanto para os nossos profissionais de educação, quanto para os nossos estudantes.”, finaliza.

    Por: Jornalismo IFSC.

  • Laboratório de Cidadania Digital iniciará operação em sede própria dia 23 de abril

    Laboratório de Cidadania Digital iniciará operação em sede própria dia 23 de abril

    Coordenador apresenta a origem e os principais projetos do LabCidig

    Localizado no hall de acesso de pedestres do Câmpus Florianópolis, o Laboratório de Cidadania Digital do Instituto Federal de Santa Catarina (LabCidig/IFSC) iniciará oficialmente suas operações em 23 de abril. Embora tenha sido criado e atue desde 2018, é a primeira vez que o Laboratório terá um espaço próprio para concentrar suas atividades em Santa Catarina. Conceitualmente, a metodologia de trabalho nasceu a partir de pesquisa em rede envolvendo num primeiro momento a Escola do Futuro e o Centro Internacional Atopos, ambos da Universidade de São Paulo (USP). “Um dos primeiros resultados internos ao IFSC de impacto que considero relevante nessa trajetória de coletiva inquietação científica com os modelos tradicionais de ensino é o edital de protagonismo discente, que lançamos coletivamente pela Diretoria de Extensão da PROEX de forma coletiva e inédita em 2018″, lembrou o coordenador da iniciativa, professor André Dala Possa.

    O LabCidig atua como núcleo de ensino, pesquisa e extensão, com foco em cidadania digital, inovação educacional, compreensão e prevenção de novos fenômenos associados às violências cibernéticas e promoção dos direitos humanos no contexto da cultura digital. “A educação básica, principalmente o Ensino Médio, tem recebido atenção quanto ao impacto da cultura digital. Mas, nem sempre foi assim e em alguns contextos ainda temos resquícios de debates dicotômicos clássicos como permitir ou proibir, ser bom ou ruim, explorar ou ignorar (…) e tudo isso diverge das tendências contemporâneas. Viver OnLIFE não é mais uma escolha. Portanto, precisamos compreender como exercer cidadania num mundo multitelas, permeado por algoritmos. Sem essas competências, a sociedade fica limitada em sua capacidade de desenvolvimento pleno”, reforçou André.

    Como funciona na prática?

    O LabCidig foi concebido como uma base de articulação acadêmica e operacional para projetos voltados à formação continuada das famílias, dos estudantes, da governança e dos profissionais da educação. Por meio das chamadas ecologias conectivas, especialistas de 85 instituições científicas se concentram na experimentação de soluções educacionais alinhadas aos desafios contemporâneos da vida OnLIFE. “Empreendemos trilhas de microformações, experiências plugadas e desplugadas, produção de materiais didáticos e informativos, conteúdos audiovisuais e gráficos, mentorias e consultorias para o desenvolvimento de soluções em plataformas digitais com potencial de impacto social para diferentes territórios brasileiros – sempre a partir das escolas”, explicou o coordenador do programa, professor André Dala Possa.

    Do ponto de vista acadêmico-científico, o laboratório atua em articulação com a Rede Internacional de Educação OnLIFE (RIEOnLIFE) e a Immersive Learning Networking (iRLN). Com encontros cíclicos há quase uma década, instituições nacionais e estrangeiras concentram esforços na compreensão dos impactos da chamada digitalização de tudo. As primeiras ações de aproximação do professor André Dala Possa ocorreram durante sua pesquisa de tese de doutorado, na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), entre 2014 e 2018. Desde então, os vínculos geraram projetos de TCC, PI, Extensão, Pesquisa, novos editais para equipes de competição, diretrizes para políticas públicas, publicações científicas, eventos, formações de formadores, produtos tecnológicos e outras vivências imersivas que viabilizaram em 2023 a captação de orçamento para a sede física própria. “Em 2024 a FAPESC aprovou projeto para investimento numa infraestrutura básica de orientação, pesquisa e produção de conteúdos para ensino e extensão de 11 municípios quanto às cyber harm. Depois, ampliamos parcerias para hospedar projetos de maior lastro frente nossa metodologia, intensificando relacionamento com o programa Receita Cidadã, da Receita Federal do Brasil, e acolhendo bolsistas multiprofissionais do ecossistema que pertencemos. Assim, obtivemos êxito noutras captações junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e à deputada federal por Santa Catarina, Daniela Reinehr. Com isso, dado o apoio estratégico do IFSC-Florianópolis, atuamos com nove bolsistas diretos entre discentes e servidores e 16 especialistas associados esporádicos”, comemorou André.

    Momento estratégico

    A inauguração operacional do espaço físico dentro do IFSC-Florianópolis está agendada para dia 23 de abril e ocorre num contexto em que a educação digital ganha centralidade nas políticas públicas. A proposta do LabCidig dialoga com a Política Nacional de Educação Digital e com o Currículo de Educação Digital de Santa Catarina, que orientam sistemas, redes e instituições para uma postura ativa, crítica, ética e segura das tecnologias na formação de estudantes e profissionais da educação. Nesse cenário, o LabCidig se posiciona de forma ainda mais contundente como uma instância estratégica para experimentação, formação e apoio a políticas educacionais conectadas à realidade das escolas e arranjos produtivos locais catarinenses.
    Entre os projetos em andamento, destacam-se a consolidação do ecossistema Cidig com plataforma própria (sempre experimental) de formação e diagnóstico em cidadania digital; a ampliação de trilhas formativas voltadas a estudantes, educadores, famílias e governança; e, novas ações de pesquisa e extensão voltadas à prevenção de violências cibernéticas, conscientização e combate ao tráfico de pessoas, o uso ético da inteligência artificial e à integração curricular da educação digital.

    “É claro que no dia a dia do Câmpus o LabCidig tende a impactar na formação integral dos estudantes, reforçando vínculos, impelindo maior engajamento das turmas no ensino, na pesquisa e na extensão. Mas, enquanto política pública, a população é a principal beneficiada. Em nossas campanhas, produzimos e distribuímos ebooks e livros físicos, adultos e infantis de abordagem preventiva; oficinas; palestras; formações de curta e média duração; maratonas de inovação (hackathons), ações sociais, mutirões temáticos (…)”, sintetizou André.
    Para concluir o coordenador do LabCidig destacou que nas ecologias conectivas são realizadas atividades planejadas e intencionais para a interação consciente e qualificada da sociedade com pautas complexas, priorizando públicos estratégicos com potencial de multiplicadores, como exemplo de ir além das escolas, André citou o envolvimento de agentes comunitários de saúde e dos profissionais de saúde mental do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

    Enquanto espaço aberto ao diálogo acadêmico, o LabCidig mantém aqui em sua página web um cadastro de especialistas interessados em colaborar nos projetos. Para receber as novidades sobre oportunidades e conteúdos, basta preencher o cadastro.

  • BNCC-Computação: evento marca encerramento de formação básica de professores no Vale do Itajaí

    BNCC-Computação: evento marca encerramento de formação básica de professores no Vale do Itajaí

    Projetos desenvolvidos desde 2025 em 41 escolas mostram o potencial da cultura digital na educação pública

    Emoção, protagonismo e inovação marcaram o evento de encerramento da formação continuada “Educação em Computação na Contemporaneidade”, realizado no dia 20 de março, no auditório da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Blumenau. Promovida pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em parceria com a CRE-Blumenau, a iniciativa reuniu 12 equipes finalistas, representantes de escolas de toda a região para a apresentação de projetos pedagógicos desenvolvidos ao longo da formação.

    O encontro celebrou a culminância de um processo iniciado em 2025 que envolveu mais de 40 escolas, mobilizando professores, gestores e estudantes na implementação da BNCC-Computação na Educação Básica. Ao longo da manhã da sexta (20) o público acompanhou 12 apresentações em formato de pitch, nas quais as equipes finalistas compartilharam experiências que integram tecnologia, pensamento computacional e desafios reais do cotidiano escolar nos seus respectivos territórios.

    Para a articuladora da formação pela CRE-Blumenau, Lisandra Inês Herpich, os projetos desenvolvidos evidenciam o potencial transformador da educação quando articulada à cultura digital. “Vimos a evolução dos temas semana a semana e conseguimos perceber que nossos educadores e estudantes estão atentos e mais preparados para lidar com pautas como segurança na internet, mudanças climáticas, identidade, violência de gênero, sustentabilidade e análise de dados”, comemorou. As sequências didáticas foram planejadas e executadas de forma interdisciplinar, conectando diferentes áreas do conhecimento. As apresentações foram marcadas por entusiasmo e envolvimento das equipes, que demonstraram domínio dos conteúdos e forte vínculo com as problemáticas abordadas.

    Parcerias que ampliam o alcance da educação pública

    A formação é resultado de uma articulação institucional robusta, que envolve, além do IFSC e da CRE-Blumenau, programas institucionais como o + Ciência na Escola, o Laboratório de Cidadania Digital (LabCidig) e o Receita Cidadã, da Receita Federal do Brasil. A presença da Receita Federal no projeto evidencia uma dimensão estratégica: a destinação de mercadorias apreendidas para fins educacionais, contribuindo para a realização de atividades práticas, inovação pedagógica e estímulo ao protagonismo estudantil. As escolas premiadas receberão ao todo mais de R$ 200 mil em equipamentos, incluindo espaços makers do + Ciência na Escola e reforço de equipamentos para qualificação da cidadania digital, como câmeras, microfones, drones e computadores.

    Para a Coordenadora Regional de Educação de Blumenau, Cleusa Furtado Kratz, a iniciativa representa um avanço importante na consolidação da BNCC-Computação no território. “Estamos vivenciando um movimento de transformação pedagógica muito significativo, e tenho certeza que essa metodologia é adequada para outras regiões, Santa Catarina merece um programa sólido e responsável como esse. As escolas estão incorporando novas metodologias e fortalecendo o pensamento computacional de forma contextualizada e criativa”, avaliou.

    Ao longo da formação, os participantes foram desafiados a desenvolver sequências didáticas alinhadas ao pensamento computacional, mobilizando conceitos como decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e construção de algoritmos. “Eu sou apaixonada pelo programa que criamos a muitas mãos. Hoje é um dia de celebração. As experiências que vimos aqui mostram que é possível traduzir diretrizes curriculares em práticas significativas, conectadas com a realidade dos estudantes. Estamos falando de uma educação que forma sujeitos críticos, criativos e capazes de atuar no mundo contemporâneo”, comemorou a diretora executiva do IFSC, professora Ana Paula Kuczmynda da Silveira, que coordenou o projeto desde a concepção ainda quando atuava como diretora-geral do IFSC-Gaspar.

    A Receita Federal do Brasil esteve representada pelo delegado adjunto Marcelo Stoiani Nercolini e pelo analista tributário Kelcio Cesar Goedert. Presentes durante todo o evento, Marcelo participou como avaliador dos pitches e já na sua fala na mesa de abertura conclamou os profissionais da educação para que perseverem.  “Não deixem as boas iniciativas morrerem. Iniciativas como essa são estratégicas para o desenvolvimento social e humano do nosso país. Precisamos que vocês não desistam e mantenham um processo de crescimento e qualificação dos projetos em suas escolas. Infelizmente temos esse problema no Brasil: boas ideias têm duração curta. Nós queremos que vocês continuem e para colaborar oferecemos incentivos como a premiação oferecida por meio do Receita Cidadã”, disse.

    Vencedores da categoria “Melhor Pitch

    Durante as 12 apresentações, em pitches cronometrados de até 5 minutos, os professores defenderam suas escolhas metodológicas, destacaram os resultados e o potencial de replicabilidade das estratégias. Uma banca pública, composta por especialistas convidados, atribuiu notas em seis critérios. Por meio de plataforma exclusiva do LabCidig, as avaliações foram computadas e, assim, a plateia conheceu os destaques: 

    EscolaNota finalEducadores(as)
    EEB Bruno Hoeltgebaum94,29Daniela Steinheuzer
    Ingelore Otto
    Frei Policarpo90,54Jhone Heitor Theiss
    Lidiane Reinert
    Wagner Adriana Volles
    Christoph Augenstein88,75Ariana Helena Silva de Souza
    Mariene Fischer Nunes
    Jaqueline Zeferino
    Victoria de Oliveira Silva

    As integrantes da equipe campeã receberam smartphones e as três escolas que subiram ao palco na categoria melhor pitch foram premiadas com uma consultoria exclusiva do LabCidig para fortalecer as ações de promoção de Cidadania Digital. Conforme o coordenador do laboratório, professor André Dala Possa, o trabalho conjunto já iniciará em abril. “Essa parceria entre o IFSC, a Secretaria Estadual de Educação e a Receita Federal tornarão as escolas referência em cidadania digital. Vamos promover um diagnóstico integral com os educadores, famílias e gestores locais. Durante 18 meses estaremos lado a lado com a rede para contribuir com estratégias de produção de conteúdos, experimentação de metodologias inovadoras e avaliação contínua dos impactos. Graças às doações do Receita Cidadã poderemos ousar nos projetos, melhorando a infraestrutura das escolas e realizando oficinas com cada comunidade escolar”, falou.

    Vencedores da categoria Relatório Crítico-Reflexivo

    Cada uma das 12 equipes finalistas produziu um relatório técnico, com registros fotográficos, análise de resultados e qualificação das metodologias propostas e executadas. Esses documentos foram distribuídos para avaliação ad hoc, e assim conhecemos as três escolas contempladas com espaços makers, financiados pelo programa + Ciência na Escola do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) do Governo Federal.

    EscolaEducadores(as)
    EEB Christoph AugensteinAriana Helena Silva de Souza
    Mariene Fischer Nunes
    Jaqueline Zeferino
    Victoria de Oliveira Silva
    EEB Senador Evelásio VieiraPriscilla Sayuri Saito de Oliveira
    Luan de Pinho
    Cristiane dos Santos Mendes
    EEB Pe. José MaurícioGiovani Vendrami
    Joel de Souza

    Cada espaço maker é composto por itens diversos ligados à metodologia STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). Na prática, são ambientes de estudos orientados para a prática de prototipagem, fabricação digital, robótica e eletrônica. O coordenado do + Ciência na Escola no IFSC, professor Glauco Cardozo destacou que o foco da parceria com as escolas premiadas é o protagonismo discente. “Como educadores da rede federal, queremos que as escolas de todo o Estado vivam a ciência e a tecnologia com o mesmo entusiasmo que nós vivemos no IFSC. Vamos melhorar a infraestrutura desses ambientes e oferecer conhecimento aplicado para engajar os estudantes e professores locais em experiências mais transformadoras”, antecipou.

  • Receita Cidadã e Laboratório de Cidadania Digital ampliam parcerias

    Receita Cidadã e Laboratório de Cidadania Digital ampliam parcerias

    Equipamentos eletrônicos que seria destruídos podem virar novos produtos e ajudar a sociedade

     

    O programa Receita Cidadã, da Receita Federal, e o Laboratório de Cidadania Digital do IFSC ampliaram os termos da parceria institucional nesta quarta-feira (11). A partir de projeto apresentado pelo professor André Dala Possa, em 2014, e atualizado em 2025, o IFSC recebe mercadorias de diversas naturezas, principalmente descaminho. Os itens são doados pela Receita Federal para ampliar o alcance das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão – sempre dentro de programas ou projetos. O repasse realizado em 11 de março totaliza R$ 205,23 mil e será destinado para premiações de estudantes participantes das maratonas de inovação (hackathons) organizados pelo Laboratório de Cidadania Digital dentro das unidades curriculares que integram a estratégia de curricularização da extensão.

    Na avaliação do coordenador do programa no IFSC-Florianópolis, professor André Dala Possa, essa parceria é estratégica em vários aspectos, principalmente quanto à possibilidade de inovar e motivar os estudantes em torno de desafios complexos com potencial para impacto social.

    “Nossos estudantes são desafiados dentro dos princípios da extensão a aplicarem seus conhecimentos, habilidades e competências para criar novos usos a produtos como cigarros eletrônicos e os populares ‘TVBox’. Com isso, vamos além dos conteúdos teóricos, engajamos as turmas e geramos possibilidade de transformação social”, disse.

    Para a analista tributária da Receita Federal do Brasil, Maria Cristina Galloti, a Receita Federal apoia iniciativas como essas, voltadas à formação de professores e ao desenvolvimento de competências digitais nas escolas, para fortalecer a cidadania fiscal desde a base educacional.

    “Os esforços da Receita Federal somados ao do IFSC preparam cidadãos mais conscientes e participativos. Da mesma forma, as maratonas de inovação promovidas em ambiente de ciência e tecnologia abrem espaço para que conhecimento e criatividade se transformem em soluções sustentáveis para mercadorias que, normalmente, precisariam ser destruídas”, comemorou.

    Três pessoas em pé ao redor de uma mesa com eletrônicos expostos, em uma sala interna. Sobre a mesa há caixas de videogame, celulares e outros equipamentos, com uma placa da Receita Federal ao centro.
    Receita Cidadã e IFSC são parceiros em várias frentes desde 2014
  • Cidadania Digital na Infância: proteção de Crianças e Adolescentes na Internet

    Cidadania Digital na Infância: proteção de Crianças e Adolescentes na Internet

    A Ascensão da Cidadania Digital e os Desafios da Proteção Online para Menores

    Em um mundo cada vez mais conectado, a internet se tornou um palco central para o desenvolvimento, a socialização e a educação de crianças e adolescentes. No entanto, essa vasta paisagem digital, repleta de oportunidades, também esconde perigos significativos que exigem atenção e ação proativas. A construção de uma sólida cidadania digital é fundamental para garantir que os jovens possam usufruir dos benefícios da tecnologia de forma segura e responsável.

    A exposição a conteúdos inadequados, o cyberbullying, o assédio online e a exploração sexual são apenas alguns dos riscos que os menores podem enfrentar. A falta de supervisão e conhecimento, tanto por parte dos pais quanto das próprias crianças, pode torná-los vulneráveis a essas ameaças, comprometendo seu bem-estar físico e psicológico.

    Diante desse cenário, o Laboratório de Cidadania Digital do IFSC-Florianópolis une-se a pais, educadores e a sociedade em geral para debater estratégias à criação de ambientes digitais mais seguros. A legislação brasileira tem buscado acompanhar essa evolução, com iniciativas que visam coibir crimes e proteger os mais jovens, como a Lei nº 15.211, de 2025, que trata de crimes cibernéticos e a proteção de dados, conforme divulgado pelo Planalto.

    A Importância da Cidadania Digital para o Desenvolvimento Saudável

    A cidadania digital vai além do simples uso da tecnologia. Ela engloba o entendimento dos direitos e deveres online, a capacidade de discernir informações confiáveis, a ética nas interações virtuais e a proteção da própria identidade e privacidade. Para crianças e adolescentes contemporâneos, desenvolver essas habilidades desde cedo é parte da formação como cidadãos conscientes e atuantes na sociedade contemporânea. A escola, torna-se espaço de construção de importância sublinhada para essa rede de proteção.

    Promover a cidadania digital significa dar aos jovens as ferramentas necessárias para navegar na internet de forma crítica e segura. Isso inclui ensiná-los sobre os perigos potenciais, como a disseminação de notícias falsas, o compartilhamento excessivo de informações pessoais e os riscos de interagir com estranhos online.

    Riscos no Universo Digital: Uma Ameaça Constante

    Os perigos no ambiente online são multifacetados e em constante evolução. O cyberbullying, por exemplo, pode causar danos emocionais profundos, levando à ansiedade, depressão e isolamento social. A exposição a conteúdos violentos, pornográficos ou que incitem o ódio pode distorcer a visão de mundo dos jovens e impactar negativamente seu desenvolvimento.

    A FADC (Fundação de Avaliação e Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia) aponta que a falta de preparo dos pais e responsáveis em lidar com essas questões contribui para a vulnerabilidade dos menores. É essencial que os adultos busquem conhecimento e ferramentas para acompanhar e orientar os jovens em suas jornadas online.

    Estratégias de Proteção e Prevenção para um Ambiente Online Seguro

    A proteção das crianças e adolescentes no universo digital requer uma abordagem combinada. A educação é a pedra angular, com pais e escolas ensinando sobre segurança online, “etiqueta digital” e os perigos de compartilhar informações pessoais. Estabelecer regras claras sobre o tempo de tela e os tipos de conteúdo acessados também é fundamental.

    Ferramentas de controle parental podem ser aliadas importantes, mas não substituem o diálogo aberto e contínuo com os jovens. É vital criar um ambiente de confiança onde eles se sintam à vontade para compartilhar suas experiências online, sejam elas positivas ou negativas, permitindo a intervenção e o suporte necessários.

    O Papel da Legislação e da Responsabilidade Coletiva

    A legislação, como a Lei nº 15.211 de 2025, é um passo importante para coibir crimes e punir os responsáveis por práticas ilícitas no ambiente digital. No entanto, a efetividade dessas leis depende da conscientização e da colaboração de toda a sociedade. A denúncia de conteúdos e comportamentos suspeitos é um ato de cidadania essencial para a proteção dos mais vulneráveis.

    Promover a cidadania digital é um esforço contínuo que exige a participação ativa de pais, educadores, órgãos governamentais e da própria indústria tecnológica. Somente através de uma frente unida será possível garantir que o universo digital seja um espaço de aprendizado, crescimento e diversão, livre das ameaças que podem comprometer o futuro de nossas crianças e adolescentes.