Projetos desenvolvidos desde 2025 em 41 escolas mostram o potencial da cultura digital na educação pública
Emoção, protagonismo e inovação marcaram o evento de encerramento da formação continuada “Educação em Computação na Contemporaneidade”, realizado no dia 20 de março, no auditório da Coordenadoria Regional de Educação (CRE) de Blumenau. Promovida pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), em parceria com a CRE-Blumenau, a iniciativa reuniu 12 equipes finalistas, representantes de escolas de toda a região para a apresentação de projetos pedagógicos desenvolvidos ao longo da formação.
O encontro celebrou a culminância de um processo iniciado em 2025 que envolveu mais de 40 escolas, mobilizando professores, gestores e estudantes na implementação da BNCC-Computação na Educação Básica. Ao longo da manhã da sexta (20) o público acompanhou 12 apresentações em formato de pitch, nas quais as equipes finalistas compartilharam experiências que integram tecnologia, pensamento computacional e desafios reais do cotidiano escolar nos seus respectivos territórios.
Para a articuladora da formação pela CRE-Blumenau, Lisandra Inês Herpich, os projetos desenvolvidos evidenciam o potencial transformador da educação quando articulada à cultura digital. “Vimos a evolução dos temas semana a semana e conseguimos perceber que nossos educadores e estudantes estão atentos e mais preparados para lidar com pautas como segurança na internet, mudanças climáticas, identidade, violência de gênero, sustentabilidade e análise de dados”, comemorou. As sequências didáticas foram planejadas e executadas de forma interdisciplinar, conectando diferentes áreas do conhecimento. As apresentações foram marcadas por entusiasmo e envolvimento das equipes, que demonstraram domínio dos conteúdos e forte vínculo com as problemáticas abordadas.
Parcerias que ampliam o alcance da educação pública
A formação é resultado de uma articulação institucional robusta, que envolve, além do IFSC e da CRE-Blumenau, programas institucionais como o + Ciência na Escola, o Laboratório de Cidadania Digital (LabCidig) e o Receita Cidadã, da Receita Federal do Brasil. A presença da Receita Federal no projeto evidencia uma dimensão estratégica: a destinação de mercadorias apreendidas para fins educacionais, contribuindo para a realização de atividades práticas, inovação pedagógica e estímulo ao protagonismo estudantil. As escolas premiadas receberão ao todo mais de R$ 200 mil em equipamentos, incluindo espaços makers do + Ciência na Escola e reforço de equipamentos para qualificação da cidadania digital, como câmeras, microfones, drones e computadores.
Para a Coordenadora Regional de Educação de Blumenau, Cleusa Furtado Kratz, a iniciativa representa um avanço importante na consolidação da BNCC-Computação no território. “Estamos vivenciando um movimento de transformação pedagógica muito significativo, e tenho certeza que essa metodologia é adequada para outras regiões, Santa Catarina merece um programa sólido e responsável como esse. As escolas estão incorporando novas metodologias e fortalecendo o pensamento computacional de forma contextualizada e criativa”, avaliou.
Ao longo da formação, os participantes foram desafiados a desenvolver sequências didáticas alinhadas ao pensamento computacional, mobilizando conceitos como decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e construção de algoritmos. “Eu sou apaixonada pelo programa que criamos a muitas mãos. Hoje é um dia de celebração. As experiências que vimos aqui mostram que é possível traduzir diretrizes curriculares em práticas significativas, conectadas com a realidade dos estudantes. Estamos falando de uma educação que forma sujeitos críticos, criativos e capazes de atuar no mundo contemporâneo”, comemorou a diretora executiva do IFSC, professora Ana Paula Kuczmynda da Silveira, que coordenou o projeto desde a concepção ainda quando atuava como diretora-geral do IFSC-Gaspar.
A Receita Federal do Brasil esteve representada pelo delegado adjunto Marcelo Stoiani Nercolini e pelo analista tributário Kelcio Cesar Goedert. Presentes durante todo o evento, Marcelo participou como avaliador dos pitches e já na sua fala na mesa de abertura conclamou os profissionais da educação para que perseverem. “Não deixem as boas iniciativas morrerem. Iniciativas como essa são estratégicas para o desenvolvimento social e humano do nosso país. Precisamos que vocês não desistam e mantenham um processo de crescimento e qualificação dos projetos em suas escolas. Infelizmente temos esse problema no Brasil: boas ideias têm duração curta. Nós queremos que vocês continuem e para colaborar oferecemos incentivos como a premiação oferecida por meio do Receita Cidadã”, disse.











Vencedores da categoria “Melhor Pitch”
Durante as 12 apresentações, em pitches cronometrados de até 5 minutos, os professores defenderam suas escolhas metodológicas, destacaram os resultados e o potencial de replicabilidade das estratégias. Uma banca pública, composta por especialistas convidados, atribuiu notas em seis critérios. Por meio de plataforma exclusiva do LabCidig, as avaliações foram computadas e, assim, a plateia conheceu os destaques:
| Escola | Nota final | Educadores(as) |
| EEB Bruno Hoeltgebaum | 94,29 | Daniela Steinheuzer Ingelore Otto |
| Frei Policarpo | 90,54 | Jhone Heitor Theiss Lidiane Reinert Wagner Adriana Volles |
| Christoph Augenstein | 88,75 | Ariana Helena Silva de Souza Mariene Fischer Nunes Jaqueline Zeferino Victoria de Oliveira Silva |
As integrantes da equipe campeã receberam smartphones e as três escolas que subiram ao palco na categoria melhor pitch foram premiadas com uma consultoria exclusiva do LabCidig para fortalecer as ações de promoção de Cidadania Digital. Conforme o coordenador do laboratório, professor André Dala Possa, o trabalho conjunto já iniciará em abril. “Essa parceria entre o IFSC, a Secretaria Estadual de Educação e a Receita Federal tornarão as escolas referência em cidadania digital. Vamos promover um diagnóstico integral com os educadores, famílias e gestores locais. Durante 18 meses estaremos lado a lado com a rede para contribuir com estratégias de produção de conteúdos, experimentação de metodologias inovadoras e avaliação contínua dos impactos. Graças às doações do Receita Cidadã poderemos ousar nos projetos, melhorando a infraestrutura das escolas e realizando oficinas com cada comunidade escolar”, falou.
Vencedores da categoria Relatório Crítico-Reflexivo
Cada uma das 12 equipes finalistas produziu um relatório técnico, com registros fotográficos, análise de resultados e qualificação das metodologias propostas e executadas. Esses documentos foram distribuídos para avaliação ad hoc, e assim conhecemos as três escolas contempladas com espaços makers, financiados pelo programa + Ciência na Escola do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) do Governo Federal.
| Escola | Educadores(as) |
| EEB Christoph Augenstein | Ariana Helena Silva de Souza Mariene Fischer Nunes Jaqueline Zeferino Victoria de Oliveira Silva |
| EEB Senador Evelásio Vieira | Priscilla Sayuri Saito de Oliveira Luan de Pinho Cristiane dos Santos Mendes |
| EEB Pe. José Maurício | Giovani Vendrami Joel de Souza |
Cada espaço maker é composto por itens diversos ligados à metodologia STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). Na prática, são ambientes de estudos orientados para a prática de prototipagem, fabricação digital, robótica e eletrônica. O coordenado do + Ciência na Escola no IFSC, professor Glauco Cardozo destacou que o foco da parceria com as escolas premiadas é o protagonismo discente. “Como educadores da rede federal, queremos que as escolas de todo o Estado vivam a ciência e a tecnologia com o mesmo entusiasmo que nós vivemos no IFSC. Vamos melhorar a infraestrutura desses ambientes e oferecer conhecimento aplicado para engajar os estudantes e professores locais em experiências mais transformadoras”, antecipou.