Laboratório de Cidadania Digital iniciará operação em sede própria dia 23 de abril

Coordenador apresenta a origem e os principais projetos do LabCidig

Localizado no hall de acesso de pedestres do Câmpus Florianópolis, o Laboratório de Cidadania Digital do Instituto Federal de Santa Catarina (LabCidig/IFSC) iniciará oficialmente suas operações em 23 de abril. Embora tenha sido criado e atue desde 2018, é a primeira vez que o Laboratório terá um espaço próprio para concentrar suas atividades em Santa Catarina. Conceitualmente, a metodologia de trabalho nasceu a partir de pesquisa em rede envolvendo num primeiro momento a Escola do Futuro e o Centro Internacional Atopos, ambos da Universidade de São Paulo (USP). “Um dos primeiros resultados internos ao IFSC de impacto que considero relevante nessa trajetória de coletiva inquietação científica com os modelos tradicionais de ensino é o edital de protagonismo discente, que lançamos coletivamente pela Diretoria de Extensão da PROEX de forma coletiva e inédita em 2018″, lembrou o coordenador da iniciativa, professor André Dala Possa.

O LabCidig atua como núcleo de ensino, pesquisa e extensão, com foco em cidadania digital, inovação educacional, compreensão e prevenção de novos fenômenos associados às violências cibernéticas e promoção dos direitos humanos no contexto da cultura digital. “A educação básica, principalmente o Ensino Médio, tem recebido atenção quanto ao impacto da cultura digital. Mas, nem sempre foi assim e em alguns contextos ainda temos resquícios de debates dicotômicos clássicos como permitir ou proibir, ser bom ou ruim, explorar ou ignorar (…) e tudo isso diverge das tendências contemporâneas. Viver OnLIFE não é mais uma escolha. Portanto, precisamos compreender como exercer cidadania num mundo multitelas, permeado por algoritmos. Sem essas competências, a sociedade fica limitada em sua capacidade de desenvolvimento pleno”, reforçou André.

Como funciona na prática?

O LabCidig foi concebido como uma base de articulação acadêmica e operacional para projetos voltados à formação continuada das famílias, dos estudantes, da governança e dos profissionais da educação. Por meio das chamadas ecologias conectivas, especialistas de 85 instituições científicas se concentram na experimentação de soluções educacionais alinhadas aos desafios contemporâneos da vida OnLIFE. “Empreendemos trilhas de microformações, experiências plugadas e desplugadas, produção de materiais didáticos e informativos, conteúdos audiovisuais e gráficos, mentorias e consultorias para o desenvolvimento de soluções em plataformas digitais com potencial de impacto social para diferentes territórios brasileiros – sempre a partir das escolas”, explicou o coordenador do programa, professor André Dala Possa.

Do ponto de vista acadêmico-científico, o laboratório atua em articulação com a Rede Internacional de Educação OnLIFE (RIEOnLIFE) e a Immersive Learning Networking (iRLN). Com encontros cíclicos há quase uma década, instituições nacionais e estrangeiras concentram esforços na compreensão dos impactos da chamada digitalização de tudo. As primeiras ações de aproximação do professor André Dala Possa ocorreram durante sua pesquisa de tese de doutorado, na Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), entre 2014 e 2018. Desde então, os vínculos geraram projetos de TCC, PI, Extensão, Pesquisa, novos editais para equipes de competição, diretrizes para políticas públicas, publicações científicas, eventos, formações de formadores, produtos tecnológicos e outras vivências imersivas que viabilizaram em 2023 a captação de orçamento para a sede física própria. “Em 2024 a FAPESC aprovou projeto para investimento numa infraestrutura básica de orientação, pesquisa e produção de conteúdos para ensino e extensão de 11 municípios quanto às cyber harm. Depois, ampliamos parcerias para hospedar projetos de maior lastro frente nossa metodologia, intensificando relacionamento com o programa Receita Cidadã, da Receita Federal do Brasil, e acolhendo bolsistas multiprofissionais do ecossistema que pertencemos. Assim, obtivemos êxito noutras captações junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e à deputada federal por Santa Catarina, Daniela Reinehr. Com isso, dado o apoio estratégico do IFSC-Florianópolis, atuamos com nove bolsistas diretos entre discentes e servidores e 16 especialistas associados esporádicos”, comemorou André.

Momento estratégico

A inauguração operacional do espaço físico dentro do IFSC-Florianópolis está agendada para dia 23 de abril e ocorre num contexto em que a educação digital ganha centralidade nas políticas públicas. A proposta do LabCidig dialoga com a Política Nacional de Educação Digital e com o Currículo de Educação Digital de Santa Catarina, que orientam sistemas, redes e instituições para uma postura ativa, crítica, ética e segura das tecnologias na formação de estudantes e profissionais da educação. Nesse cenário, o LabCidig se posiciona de forma ainda mais contundente como uma instância estratégica para experimentação, formação e apoio a políticas educacionais conectadas à realidade das escolas e arranjos produtivos locais catarinenses.
Entre os projetos em andamento, destacam-se a consolidação do ecossistema Cidig com plataforma própria (sempre experimental) de formação e diagnóstico em cidadania digital; a ampliação de trilhas formativas voltadas a estudantes, educadores, famílias e governança; e, novas ações de pesquisa e extensão voltadas à prevenção de violências cibernéticas, conscientização e combate ao tráfico de pessoas, o uso ético da inteligência artificial e à integração curricular da educação digital.

“É claro que no dia a dia do Câmpus o LabCidig tende a impactar na formação integral dos estudantes, reforçando vínculos, impelindo maior engajamento das turmas no ensino, na pesquisa e na extensão. Mas, enquanto política pública, a população é a principal beneficiada. Em nossas campanhas, produzimos e distribuímos ebooks e livros físicos, adultos e infantis de abordagem preventiva; oficinas; palestras; formações de curta e média duração; maratonas de inovação (hackathons), ações sociais, mutirões temáticos (…)”, sintetizou André.
Para concluir o coordenador do LabCidig destacou que nas ecologias conectivas são realizadas atividades planejadas e intencionais para a interação consciente e qualificada da sociedade com pautas complexas, priorizando públicos estratégicos com potencial de multiplicadores, como exemplo de ir além das escolas, André citou o envolvimento de agentes comunitários de saúde e dos profissionais de saúde mental do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

Enquanto espaço aberto ao diálogo acadêmico, o LabCidig mantém aqui em sua página web um cadastro de especialistas interessados em colaborar nos projetos. Para receber as novidades sobre oportunidades e conteúdos, basta preencher o cadastro.

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