
No dia 28 de abril de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Nacional Proteção Integral IV, com cumprimento simultâneo de 159 mandados de busca e apreensão em todas as unidades da Federação e 17 mandados de prisão preventiva. A ação envolveu 503 policiais federais e 243 policiais civis de diferentes estados. As cidades catarinenses envolvidas foram Florianópolis, São José e Imbituba. Nestas, três crianças foram resgatadas em situação de vulnerabilidade.
O dado mais alarmante, no entanto, ultrapassa a operação específica. Conforme relatórios da Polícia Federal, somente de janeiro a abril de 2026, por meio dos chamados Grupos de Capturas, a Polícia Federal já cumpriu ao menos 450 mandados judiciais de prisão por crimes sexuais.
Plataformas, aplicativos de mensagens, redes sociais, jogos online e comunidades digitais fazem parte da vida cotidiana de crianças e adolescentes. Esses ambientes ampliam possibilidades de aprendizagem, socialização e expressão, mas também podem ser utilizados por adultos ou grupos criminosos para aproximação indevida, manipulação, coerção, produção de conteúdos ilegais e circulação de materiais violentos.
A própria Polícia Federal tem chamado atenção para a importância da terminologia adequada. Embora o termo “pornografia” ainda apareça no Estatuto da Criança e do Adolescente, a comunidade internacional tem priorizado expressões como abuso sexual de crianças e adolescentes ou violência sexual contra crianças e adolescentes, por refletirem com maior precisão a gravidade desses crimes.
Quando uma criança ou adolescente é exposto, manipulado, coagido ou violentado, não se trata de “conteúdo adulto”, mas de crime, exploração e violação da dignidade humana.
A operação também ocorreu às vésperas do Maio Laranja, mês dedicado ao enfrentamento do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha reforça que a proteção de crianças e adolescentes é responsabilidade de toda a sociedade, envolvendo famílias, escolas, instituições públicas, plataformas digitais, organizações sociais e redes de proteção.
Denúncias
Ao desconfiar de violações contra crianças e adolescentes, o canal oficial para denúncias é o Disque 100, serviço nacional que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, recebendo, analisando e encaminhando denúncias aos órgãos competentes.